O conto abaixo foi publicado no livro A Sala de Banho (2014). Clique aqui para visitar a página da obra.


Quando percebi que não havia saída alguma, entrei no primeiro bar que encontrei, sentei-me próximo ao balcão e pedi uma bebida, um coquetel qualquer daqueles, devia ser azul. Sim, era azul. Já passava das quatro da manhã, minha cabeça rodava, não consegui concentrar meus olhos em lugar algum. Ela me ligou uma vez, duas, três, dez vezes. Olhava o celular como se olhasse o nada. Estava prestes a tomar a decisão da minha vida, ou ao menos era isso que eu achava.

Ela não significava muito pra mim, só mais uma que encontrei por aí. O problema é que tinha dinheiro na história, daí fui obrigado a pensar melhor nas consequências. Muito dinheiro por sinal. Além disso, ela não era de se jogar fora, tinha lá sua beleza, mesmo que meio escondida pelo tempo, só que a pressão estava aumentando, ela exigia uma resposta e eu só fugindo. Aquela coisa azul só piorou a situação, desnorteou meus sentidos, acabou com o que restava do meu estômago. Caí.

Não foi difícil segui-lo sem ser percebida. Conhecer as pessoas certas e ter um pouco de dinheiro em mãos faz toda a diferença. Ele parou em um bar, como eu imaginava. Entrei pelos fundos e entreguei uma mistura especial ao garçom. Tinha certeza de que ele nunca desconfiaria do que colocaram em sua bebida, mal conseguia prender a atenção no trânsito enquanto dirigia. Estava confuso, como eu queria. Acordou só depois das três da tarde, deixei-o dormindo no sofá. Contei-lhe que ele tinha chegado ali por conta própria, mas isso não fazia muita diferença, parecia uma criança na minha frente. Pediu desculpas, disse que havia tomado uma decisão e ficou calado por um tempo. Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto. Sua gratidão me confortou. Partimos em silêncio. Arrumamos nossas malas imediatamente, não havia mais por que esperar.

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