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elegia (ou melhor) ode ao erro

Escrito por

Mylle Pampuch

Quero errar, tanto e com tanto afinco que me arrebentem as ideias se eu errar menos do que deveria. Errar por horas a fio e errar cansada, me irritar por errar mais ainda. Quero não buscar o sentido estrito das palavras — como agora, que sei lá se o que estou escrevendo é uma elegia — para então me abrir na forma que vier. Ser livre para errar em forma e conteúdo, ser simples, nada esperar além do erro. Sim, que me apontem o dedo. Sim, que não entendam meus motivos — o erro é o reflexo do objetivo. Quero convidar você para errar comigo, para viver nesse cardume de incertezas. Como você, estou cansada de parecer certa, de querer ser perfeita. Como você, estou sufocando nesse mar de autoexigência. Então eu quero errar, e errar feio, para que todo mundo veja. Para que todos julguem e tirem suas conclusões rasas sobre como foi banal o meu erro. Quero errar cinco mil vezes como o inventor do aspirador sem saco coletor, como Thomas Edson buscando a lâmpada. Que eu não tenha preguiça. Que eu não tenha receio. Quero errar porque é no escuro que se tateia, porque a gente nunca sabe o que tem do outro lado, porque a subida é íngreme e a travessia estreita, porque estou apaixonada pela descoberta de que todas as vezes que errei era mesmo para eu estar errando. Está tudo errado — e é assim que tem que ser.

211.1xx

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