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Processo de escrita do roteiro de A Samurai: Sujimichi

Escrito por

Mylle Pampuch

Hoje quero falar sobre o processo de criação do roteiro de A Samurai: Sujimichi.

Mas antes quero te lembrar que preciso da sua ajuda em www.catarse.me/asamurai3 para imprimir essa história em quadrinhos e materializar a trilogia completa de A Samurai.

Como você deve saber, sou escritora. Isso significa que, apesar de eu publicar histórias em quadrinhos, não sou eu que as desenho. O meu trabalho é escrever as histórias — ou melhor, os roteiros — e encontrar ilustradores dispostos a transformar minhas palavras em desenhos.

O meu processo de construção de roteiro evoluiu bastante desde o primeiro volume de A Samurai — que, aliás, foi o meu primeiro roteiro para histórias em quadrinhos. De 2015 para cá, passei de uma escrita sucinta dos quadros para descrições mais detalhadas, como fotografias, de como imagino o frame que quero congelar do filme que passa dentro da minha cabeça enquanto crio a história.

Argumento e lista de personagens

No entanto, para que o trabalho de escrita do roteiro seja o mais próximo ao resultado que espero, antes de começa-lo escrevo um argumento. Essa ideia, que peguei emprestada do cinema, nada mais é do que escrever cada uma das cenas em texto corrido e no tempo presente, como se uma peça de teatro estivesse passando bem diante dos meus olhos.

Essa escrita prévia me ajuda a entender, antes de escrever o roteiro propriamente dito, quais cenas funcionam e quais cenas podem ser melhoradas ou até descartadas.

Em A Samurai: Sujimichi, além do argumento, também elaborei uma lista de personagens, com a descrição de cada um e suas funções ao longo da trilogia. Juntos, o argumento e a lista de personagens serviram como guias para o processo de escrita do roteiro.

Só depois de escrever o argumento e me afastar do projeto por alguns dias — escrever e esquecer o que escrevemos é a chave para melhorarmos continuamente o que produzimos — é que, enfim, comecei a trabalhar no roteiro.

Primeira versão do roteiro

A primeira versão do roteiro é a parte mais gostosa de escrever, porque é quando eu crio a história de fato. É nessa fase que vivo cada uma das emoções dos personagens, luto com eles, presencio cada cena como se ela estivesse acontecendo diante dos meus olhos. É um processo sofrido, cansativo e gratificante na mesma medida.

Posso dizer que a criação é minha fase preferida do processo de elaboração de uma história.

Há duas características especiais em A Samurai: Sujimichi: cada capítulo tem um traço diferente e uma cor predominante. Com isso em mente, logo na primeira versão procurei atribuir um clima distinto para cada capítulo e comecei a imaginar qual dos oito ilustradores participantes do projeto combinaria com esse clima. Nessa fase inicial, é claro, todas as escolhas são provisórias; a prioridade é escrever a história de forma livre, então quanto menos amarras eu tiver nesse momento da escrita, melhor.

O processo da elaboração do argumento até a finalização da primeira versão do roteiro deve ter levado cerca de 25 dias — algo que considero rápido, dado o tamanho da HQ.

Processo de reescrita

Me afastei do roteiro por uma semana — o processo criativo é um eterno vai e vem — para então imprimi-lo e lê-lo em outro suporte que não uma tela. Papel e caneta na mão, comecei a ler e rabiscar tudo o que gostaria de melhorar no roteiro.

Há uma diferença entre simplesmente apagar algo que você escreveu e fazer apontamentos com a caneta sobre um texto impresso. Em tempos em que escrever e publicar no formato digital é tão fácil, há uma riqueza em trazer ao mundo físico os nossos processos de produção. Ver a quantidade de páginas e sentir o peso do papel nos dá um senso de realização.

(Se você escreve, recomendo muito que sempre imprima os seus textos)

A partir daqui, comecei o trabalho braçal: uma série de releituras, edições e pausas que levaram mais quinze dias até eu bater o martelo e dizer “está pronto”. Claro que esse “está pronto” nunca vem acompanhado de uma certeza absoluta, mas a incerteza faz parte de todo o processo criativo.

Com o roteiro pronto, escolhi as cores e os ilustradores definitivos para cada capítulo; separei a pasta de referências, a lista de personagens e enviei todo o material para a próxima fase: a produção das páginas.

Me ajude a materializar A Samurai: Sujimichi

Agora que você já sabe como foi o processo de criação do roteiro de A Samurai: Sujimichi, o que acha de me ajudar a trazer essa história em quadrinhos digital para o mundo físico? Se você ainda não visitou o projeto, é só chegar junto emwww.catarse.me/asamurai3.

Se você já apoiou a campanha, muito obrigada pela sua ajuda e por ler até aqui! No momento, preciso de toda ajuda possível para alcançar novos apoiadores, então se você puder tirar um tempinho para compartilhar a campanha nas suas redes, eu agradeço muito.

E caso você ainda não tenha lido a edição digital de A Samurai: Sujimichi, é só visitar www.asamurai.com.br e lê-la gratuitamente.

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